O papá já não mora aqui
Quando era pequena li muitas vezes este livro. Ainda que nunca se tenha aplicado à minha família, gostava desta história e pensava na Joana, a minha primeira amiga cujos pais se separaram.
Como muitas das coisas dos anos 80, tinha um lado um tanto ao quanto dramático, com uma menina que fugia de casa por achar que os pais se separavam porque já não gostavam dela!
Hoje, os divórcios não são invulgares, mas os medos continuam a ser.
A rutura do núcleo familiar implica uma mudança considerável, pois os pais terão de aprender a viver separadamente e os filhos, por sua vez, sem a estrutura familiar habitual.
Um grande número de processos de divórcio é instaurado com consciência, ou seja, ambos os pais veem que a melhor solução para os seus problemas passa por se separarem e cada um deles fazer a sua própria vida. Manter uma relação que já não existe, apenas pelos filhos, gera um ambiente tóxico que não é favorável, nem para o casal nem para as crianças.
Etapas do divórcio
É inevitável que, antes da separação, a criança seja afetada e sinta que o seu núcleo de segurança está a desaparecer. Assim, é de vital importância minimizar as consequências da separação e fortalecer os fatores de proteção e de segurança, para enfrentar o processo de luto (porque há uma perda) da melhor maneira possível.
O divórcio exige diferentes estágios e, cada um deles, é marcado por uma série de características. Esse processo é longo e não termina quando os pais se separam fisicamente ou no dia em que assinam os papéis para formalizar essa separação.

O divórcio é um processo no qual podem ser distinguidas até 5 etapas que os indivíduos que formaram o casal devem superar:
- Fase de negação e isolamento. O indivíduo age negando a realidade e tentando recuperar o que tinha como forma de proteção. É um estágio que tende a ser curto e no qual é importante que a pessoa entenda as suas emoções.
- Fase da raiva. Quando o indivíduo completa a fase de negação, ele pode sentir uma raiva intensa que pode projetar em relação à outra pessoa ou a si mesmo. Os sentimentos que dominam nesta fase são o ressentimento e/ou a vingança em relação ao outro.
- Fase de negociação. Durante esta fase, há uma abordagem para o ex-parceiro ao tentar entender as razões da separação. Essa abordagem pode ser difícil se uma das duas partes tentar recuperar o que eles tinham.
- Fase de depressão. O indivíduo começa a ser objetivo e realista e entende que a recuperação do relacionamento já não é possível. Como tal, a razão domina as emoções.
- Fase de aceitação. O indivíduo aceita a perda e sente-se bem consigo mesmo. Dessa forma, a pessoa pode olhar para o futuro com otimismo.
Uma das situações que podem ocorrer durante o último estágio do divórcio é que os pais estão dispostos a construir um novo projeto de vida, mas os filhos ainda estão em processo de luto.
Por esse motivo, é importante que os pais expliquem aos filhos que o facto de terem um novo parceiro não implica nenhuma mudança naquilo que eles são como pais. Compreender essa nova situação pode ser difícil para as crianças, portanto deve ser conversado, levando a que eles participem da mudança.
Acompanhamento dos filhos durante o divórcio
Independentemente da idade da criança, é importante que ela saiba que não teve nada a ver com a decisão e que esta foi tomada exclusivamente pelos pais.
Esse tipo de explicação ajuda-os a não se sentirem culpados assim como a ficarem mais tranquilos. No entanto, e dependendo da idade, o menor pode reagir expressando emoções diferentes. Nesse sentido, deve-se ter em mente que um dos sentimentos mais vivenciados pelas crianças é o medo de ser abandonado e, se esse tema não for tratado com cuidado, poderá ter repercussões a longo prazo.
Para a criança, existem três momentos especialmente difíceis durante o processo de divórcio:
- Separação. O primeiro momento difícil para as crianças é quando lhes é comunicada a separação. Esta situação causa-lhes uma série de inseguranças.
- Abandono do lar. Quando o pai ou a mãe sai de casa, é um momento particularmente doloroso. Por esse motivo, eles devem ser apoiados, devendo o adulto manter-se controlado.
- Sentimento de casa vazia. A terceira situação ocorre após a separação, quando as crianças sentem que a casa está vazia. Nesta fase, o processo de elaboração do luto começa.
Cabe destacar que, “Mesmo quando o papá já não mora aqui, ele continua a ser o meu papá, e nós continuamos a ser uma família — só que de uma forma diferente”, enfatizando a continuidade do vínculo afetivo e a segurança emocional da criança, reforçando que o amor dos pais não se divide, apenas se expressa de novas formas.

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