A Escola fez mais falta a quem?
A escola faz falta a todos!
Todos precisam de um tempo a sós, de ter as suas vidas.
A escola faz falta a todos, aos pais e aos jovens, mas principalmente aos jovens! Porquê?
Porque durante o confinamento muitos pais repartiram teletrabalho com trabalho presencial, ou até totalmente presencial. Sempre que precisaram e quiseram saíram, para ir ao supermercado, à farmácia, ao médico, ou a qualquer outro sítio. De carro ou a pé, mas foram.
Mas os jovens ficaram em casa, com aulas em full-time, com um conjunto de trabalhos extra para compensar o on-line. Horas sentados nos quartos, sozinhos, mas acompanhados. Num mundo virtual e pouco afetuoso. E em casa, sempre em casa. Sem os treinos, sem os amigos, sem as suas vidas.
E se sabe bem aos pais estarem um bocadinho sem os filhos, sabe igualmente bem aos filhos estarem sem os pais.
Este foi o tema da newsletter de abril da Orienta os teus Sonhos, logo que se aproximava o regresso dos mais velhos aos liceus.
Todos precisamos de privacidade
A maioria dos jovens e crianças adora ir para a escola, mas não é só para aprender e conviver. É para estarem sem a família, porque lá são diferentes, mais livres, mais eles. E esse espaço privado é fundamental, para um regresso a casa mais leve, mais descontraído
Todos precisamos do nosso espaço de liberdade com outros, que estão para além do nosso núcleo duro, porque só assim descontraímos e somos plenamente felizes. Se assim não for, há tensão, e quando há tensão, há discussão.
Mas podem pensar que se quando estamos de férias adoramos estar todos juntos, porque é que durante o confinamento também não nos sentimos assim?
Porque o confinamento não são férias e tem pouco de lazer. Não viemos todos para casa com a expectativa de que ia ser muito divertido e de que só ia durar uma semana ou duas. Viemos para casa com medo, preocupados e com muita sobrecarga. Todos e toda a família, por tempo indeterminado e com o fantasma de que podemos voltar.
Temos tido parte da nossa vida hipotecada e os jovens de forma ainda mais acentuada.
Perderam os seus hobbies, as atividades desportivas, os escuteiros, as idas ao cinema, as festas de anos com os amigos e até a perspetiva da viagem de finalistas. As idas à praia de autocarro, as idas a casa de amigos, o tempo presencial com os namorados/as, ou a oportunidade de os terem.
E se os adolescentes sentem que precisam ser independentes da família, não têm conseguido sê-lo, o que altera o seu equilíbrio emocional.
A Saúde Psicológica também diz respeito à forma como pensamos, sentimos, avaliamos as situações, nos relacionamos com os outros e tomamos decisões. Quando temos Saúde Psicológica, sentimo-nos confiantes e capazes de lidar com a nossa vida e com as outras pessoas. Quando não temos, não é exatamente assim, pelo que precisamos de treinar a nossa resiliência:
Então, como podemos desenvolver a nossa resiliência?
- Alimentar relações positivas com familiares e amigos, que nos acompanhem nos dias bons e menos bons, que nos ajudem a pensar e a lidar com os nossos desafios.
- Aceitar que a mudança e a incerteza fazem parte da vida.
- Encontrar significados. Fazer coisas que, diariamente, dão sentido e propósito à nossa vida.
- Reconhecer e aprender com a nossa própria experiência. Todos nós já passamos por momentos difíceis - que recursos, estratégias e competências usámos para os ultrapassar?
- Cuidar do nosso bem-estar. Respeitar as nossas rotinas de sono e descanso, manter uma alimentação saudável, fazer exercício regularmente. Envolvermo-nos em atividades de lazer e hobbies que nos dêem prazer. Os possíveis neste momento.
- Cuidar da nossa Saúde Psicológica. Prestar atenção aos nossos sentimentos e necessidades e reconhecê-los. Recorrer ao humor sempre que possível.
- Falar sobre o que nos preocupa ou angustia.
E, sempre que necessário, pedir ajuda.