Dicas úteis

O Divórcio dos pais

Muitas são as vezes em que ouvimos dizer que o divórcio está na moda. Que já são mais os filhos de pais separados do que os de casais que vivem juntos.

Mas, na verdade, as pessoas só passaram a manter os casamentos em que acreditam, optando por se separar quando já não querem estar um com o outro.

Ainda que descomplicado, banalizado ou mais aceite, a separação implica sempre uma mudança considerável, pois os pais terão de aprender a não viver sempre com os filhos e igualmente com uma nova estrutura familiar. Também os filhos terão de aprender e de sentir, que muitas coisas mudaram, mas não todas para pior.

O divórcio consiste em diferentes estágios em que cada um deles é marcado por uma série de características. Esse processo é longo e não termina quando os pais se separam ou assinam os papéis para formalizar essa separação.

O divórcio geralmente termina quando os pais se recuperam do processo de luto e o relacionamento é entendido como algo que faz parte do passado.

É importante que os pais percebam que cada um vê e sente as coisas de uma forma, mas todas as histórias têm mais do que uma versão, mais do que um olhar e um sentir, pelo que lidar com um divórcio implica que cada um vai contar a sua parte, sem que um seja o mentiroso e o outro o sofredor.

Também não há pais que fazem de mãe de pai, mesmo que, em muitos casos, as mães estejam mais tempo com os filhos. As crianças têm um pai, que é o que é, o que quer ser, ou o que o deixam ser.

Casal sentado frente a frente

Deixo alguma das reações emocionais relacionadas com o momento evolutivo em que as crianças estão:

• Até os 2 anos. Nesta idade, a criança já se habituou a ver a figura do pai e da mãe, portanto, é capaz de sentir a ausência de um ou de outro. Isso pode gerar certa inquietação e, devido ao grau evolutivo pelo qual estão a passar, essa situação pode ser traduzida em distúrbios do sono, distúrbios alimentares ou choro.

• Dos 2 aos 3 anos. Neste estádio, as crianças podem experimentar um ligeiro declínio nas competências adquiridas até o momento, tais como: o domínio da psicomotricidade, problemas com o controlo esfincteriano (enurese ou encoprose), distúrbios do sono ou dificuldades ao nível da fala, bem como obstáculos do desenvolvimento. Em muitos casos, essas manifestações podem ser atribuídas ao medo de ficar sozinho e desprotegido do cuidado dos pais.

• Dos 3 aos 5 anos. Nesta fase mais egocêntrica, a criança pode acreditar que o divórcio dos seus pais é culpa dela. Por esse motivo, é recomendável que os pais tentem explicar, da melhor maneira possível, os motivos pelos quais eles decidiram separar-se, e que ele ou ela não tem nada a ver com a decisão deles.

• Dos 6 aos 12 anos. As crianças nesta fase já são capazes de entender o que é um divórcio e perceber as emoções dos seus pais, como a dor, a tristeza ou a alegria. A empatia que sentem em relação aos sentimentos dos seus pais, e a tristeza em aceitar a separação, pode causar uma diminuição no desempenho escolar, ou até conflitos com os colegas em quem descarregam a raiva ou a frustração que sentem face à situação que estão a viver.

• Adolescência. Esta fase é relativamente complexa, pois o adolescente está a desenvolver a sua identidade. Como tal, esta situação de divórcio pode ter um forte impacto emocional. Insegurança e sensação de perda podem traduzir-se num profundo sentimento de vazio, manifestações depressivas, dificuldade de concentração, fadiga ou pesadelos. Diante deste sofrimento, é conveniente que os pais expliquem ao adolescente que, embora se separem, o seu relacionamento com ambos não precisa de mudar.

Para a criança, existem três momentos especialmente difíceis durante o processo de divórcio:

• Separação. O primeiro momento difícil para as crianças é o anunciar da separação. Esta situação causa-lhes uma série de inseguranças.

• Abandono do lar. O segundo momento acontece quando o pai ou a mãe saem de casa. Por esse motivo, eles devem ser apoiados quando chegar esse dia.

• Sentimento de casa vazia. A terceira situação complicada ocorre após a separação, quando as crianças sentem que a casa está vazia. Nesta fase, o processo de elaboração do luto começa.

Apesar de tudo, não é melhor para os filhos que os pais fiquem sempre juntos. Apenas o é, se os pais estiverem felizes na relação, dado que se a situação em casa se tornar insustentável, o melhor para eles e também para os pais, é que cada um siga o seu próprio caminho.

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