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Depois das férias as rotinas voltam. Sem perdão.
Sabem quando brincávamos no infantário com rodas de pneu?... Custa equilibrá-lo quando começamos a dar balanço, mas quando ganha velocidade, até se torna difícil de o controlar. As rotinas também são assim. Regressamos de dias de lazer em que o tempo foi colocado no seu lugar, para os habituais horários e para a pressão que estes impõem.
Quando os filhos ficam na mesma escola e há um padrão conhecido, até sabe bem voltar e, no fundo, sentimos todos saudades. Quando há mudanças, porque mudam de ciclo ou vão mesmo para a universidade, há novos caminhos a desbravar.
Começar coisas novas tem muitas vantagens. Tem a motivação da novidade, de se conhecerem pessoas novas e de sermos conhecidos por quem também não nos conhece. Traz adaptação e novos desafios. Coloca-nos à prova.
Aos filhos, pode trazer até um pouco de medo ou de excitação. Aos pais, traz nódoas negras no coração. Fica cada vez mais difícil protege-los, garantir que vai tudo correr bem. Implica confiar: nos nossos filhos, na vida, na sorte. Saber que temos de deixar ir. E é por isso que custa tanto ver o tempo a avançar. Mas ele não pára e corre como a água, que vai sempre para onde tem de ir.

Tentou. Falhou. Não importa.
Tente de novo. Falhe de novo. Falhe melhor.
Os filhos sentem-nos. Não somos só nós que os conhecemos bem.
Com o meu filho mais velho a transitar de ciclo, também eu me senti emocionada, nervosa, impaciente e sobrecarregada. Foi preciso a rotina voltar para perceber que somos capazes de nos adaptar. E só agora estou a serenar.
E quando nós serenamos, tudo se regula. Porque todos somos sensitivos e todos os elementos de uma família captam, interpretam e reagem. Todos temos dias bons e dias menos fáceis. Quem está à nossa volta afirma com convicção: - Vai tudo correr bem! Mas nós queremos ver para crer. Para ter a certeza.
É mais fácil dizer do que fazer. Muito mais. Entretanto, enquanto os dias começam a passar, podemos dar um conselho, rezar uma oração, tentar compreender, antecipar para ajudar, mas também, saber esperar. Tratar bem, resolver em vez de reclamar, saber parar e recomeçar, lutar para melhorar, ouvir mais do que falar. Ponderar em vez de se exaltar, amar em vez de se apagar, acreditar em vez de desesperar, conseguir perdoar para também poder ser perdoado.
Bom regresso a todos!
Por detrás de todo o acto educativo deve estar um pai e uma mãe afetuoso e convicto do caminho do bem.