Olá Verão - Tempo de descansar
Quando nós éramos pequenos as férias de verão eram intermináveis.
Dava para ir para o trabalho da mãe, para o do pai, para casa das avós. Ficar uns dias em casa dos primos, ir de férias com os pais, e tornar a repetir algumas das opções anteriores.
Em setembro, parecia que tínhamos estado muito tempo fora da escola. Dava tempo para ter saudades dos amigos, dos professores, das bolas de berlim do bar da escola, das atividades extracurriculares.

Agora não é exatamente assim, mas o período de tempo é o mesmo.
Muitas escolas só fecham em agosto, pelo que, até lá, as crianças continuam a ir. No caso dos mais velhos, ficam muitos dias em casa, no quarto, a falar com os amigos pelo computador ou a jogar on-line.
Na nossa família o padrão é o mesmo, mas tentamos quebrá-lo. Como assim?
Sempre que é possível, fazem as atividades de verão e vão para a praia com a escola.
Quando não, procuramos outras alternativas, nas juntas de frequesia, algumas opções pagas e mais caras (como colónias ou institutos de inglês), com o objetivo de experimentarem coisas novas e conhecerem outras crianças/jovens. Terem de se adaptar a novos espaços e de de integrarem em novos ambientes. Mesmo que decorram numa escola da freguesia, se não for a mesma de todos os dias, a rotina é outra.
As opções municipais facilitam o orçamento familiar, e ajudam a ter uma outra opção mais dispendiosa.
Afinal, as nossas férias também ficaram na nossa memória. E verão é hora de divertir!

Trabalhar ou não nas férias? Sim e Não.
Os mais pequenos trazem um caderno de fichas para não esquecerem tudo.
Os mais velhos podem trabalhar uma disciplina em que tenham mais dificuldades (como português ou matemática), de modo a não perderem o ritmo. Pouca coisa. Duas páginas.
Também faz falta jogar às cartas, UNO, ler um livro, comer gelados, tomar banho de mar, andar de bicicleta... Descansar e criar memórias inesquecíveis, que nem o tempo, nem ninguém, pode tirar.
Subestimamos a importância das boas lembranças nas nossas vidas. Nos momentos de angústia, de incerteza ou dúvida, são elas, as boas memórias, que nos lembram porque começámos. São as boas lembranças que nos impedem de tomarmos decisões baseadas no pessimismo e no desespero de um momento qualquer. Diante do futuro inesperado, do medo paralisante, da dor da rejeição, nada é tão poderoso como recordar uma tarde longínqua deitado no colo da nossa mãe, de uma noite em que ficámos a ver as estrelas com o nosso pai, ou de horas e horas a conversar com a nossa avó.
As boas lembranças lembram-nos de onde viemos e portanto, para onde devemos ir.
Uma pessoa sem essas boas recordações - isto é, que nunca viveu a experiência marcante de ser amada - é frágil como uma folha ao vento. As lembranças, boas e más, fazem parte da nossa auto identificação. E nós, pais, possuímos uma responsabilidade enorme na criação desses registos na alma dos nossos filhos. Criamos boas lembranças quando fazemos das nossas vidas um ato de serviço e de entrega desinteressada. O sentarmo-nos no chão para brincar, uma caminhada sem pressa na rua, um carinho sem hora para acabar...
Por isso, não desperdice nenhuma ocasião de semear lembranças inesquecíveis nos seus filho. Quando já não estivermos aqui, será esse amor semeado agora, e preservado nas boas lembranças, que encaminhará, e, possivelmente salvará os nossos filhos.