Os alunos não são máquinas de aprender!
Eu adoro o mês de junho!
Não é só por causa dos Santos populares e das sardinhas. Também é um bocadinho. Mas é principlamente pelo fim das aulas. Pelos fins-de semana completamente livres, como no tempo em que tínhamos filhos no ensino pré-escolar. Este é também um mês de balanço, de missão cumprida, de mais um degrau ultrapassado. De alívio na carga familiar e na pressão que se vai induzinho nas crianças e jovens. Para todos os que estão no 11º e 12º ano, começa a jornada dos exames nacionias, e jogam em outro campeonato.
Nesta altura do ano decorrem as reuniões de fim de ano, saem as notas, fazem-se médias e "rankings". Mas nós pais, claro que queremos que os nossos filhos atinjam o objetivo principal, mas não os vemos como um número numa turma, não os devemos valorizar apenas pelas notas escolares, mas antes pelos resultados na vida. É isso que promove a empatia, a ousadia, a resiliência, o altruísmo, o empreendedorismo e, principalmente, a gestão da emoção.
Vivemos numa sociedade que está embriagada pela estatística, numa necessidade neurótica de comparar filhos perfeitos, negando perante os outros, a escola e os professores (mas principalmente perante nós próprios) a parte em que parecem fugir ao padrão.



Precisamos de aceitar que os alunos não são máquinas de aprender. Máquinas de fazer coisas. Porque se não o fizermos, tornamo-nos pais doentes que formam filhos doentes. Há escolas que querem atrair os melhores alunos do país, porque querem ter os que possuem as melhores notas, desprezando os medianos e os abaixo da média, desprezando também que é lá que se encontram muitos "Einsteins". Os alunos que se matam a estudar, que são os melhores da turma, da escola ou da sua localidade, quando entram numa escola de grande renome, encontram outros como eles. E esse confronto com o deixar de ser o melhor, leva-os a deprimirem-se e a desmotivarem-se profundamente, porque nunca treinaram a sua resiliência. Não sabem que é possível ser o número dois, três, ou dez, com muita dignidade, até porque os melhores alunos não são necessariamente os melhores profissionais, empreendedores ou cientistas. Nunca treinaram a sua inteligência emocional, o solo, que permite edificar uma estrutura sólida e firme.
E chegados a junho, com os conteúdos terminados e o programa dado, é hora de fazer outras coisas. Podemos aproveitar este tempo de verão para praticar outras competências:
- Fazer um bolo, preparar uma salada, pôr a mesa para amigos que nos visitam;
- Fazer um recado, comprar e receber o troco, estender e apanhar roupa;
- Jogar dominó, ensinar ao irmão um jogo de cartas, ver uma série em família;
- Saber esperar, saber não fazer nada, olhar para a paisagem, ouvir o silêncio;
- Ajudar, resolver em vez de reclamar, ouvir mais do que falar.



A nossa missão, enquanto educadores, é ajudá-los a escolher o bem, a reconhecer a verdade, a preciar a bondade e a beleza, a olhar para as necessidades dos outros, a ser gentil e a ter Fé.