Dicas úteis

Entrar foi fácil. Ficar é que não.

O João entrou na universidade. Primeira opção, primeira fase. Tudo certo. Escolheu o curso porque dava, porque a nota chegava, porque alguém lhe disse que tinha saída. Só havia um problema: nunca teve grande relação com aquela área. Mas entrou.

No primeiro semestre percebeu rapidamente que havia matérias que nunca tinha visto, colegas que já dominavam bases importantes e um ritmo que não abrandava. Estudou mais, tentou acompanhar, fez o que podia. Mas quando não tens bases, o esforço nem sempre chega. Vieram, assim, as primeiras reprovações, seguidas de mais algumas. E a dúvida começou a instalar-se: “Isto não é para mim… ou fui eu que escolhi mal?”

Hoje, em Portugal, muitos cursos permitem entrada com apenas um exame. À primeira vista, parece um avanço: mais acessível, menos barreiras, mais oportunidades. Mas há um efeito mais silencioso e menos visível. Tornou-se mais fácil entrar… mesmo quando não estás verdadeiramente preparado.

Estudante a refletir sobre a escolha do curso e o futuro no ensino superior.

Durante anos, os exames funcionaram como um filtro imperfeito, mas com alguma lógica: ajudavam a garantir um mínimo de alinhamento entre o que sabias e o que ias estudar. Agora, esse alinhamento nem sempre existe. E isso muda a forma como se escolhe.

O problema não é o João. É um sistema onde a decisão deixa de ser sobre afinidade e passa a ser sobre possibilidade. Onde a pergunta já não é “onde é que faço sentido?”, mas “onde é que consigo entrar?”. E quando a escolha começa assim, o resto do percurso torna-se mais difícil!

Facilitar o acesso ao ensino superior não é, por si só, um erro. Mas quando não vem acompanhado de preparação, orientação e clareza sobre o que cada curso exige, acaba por fazer outra coisa: adia o problema. Empurra-o para o primeiro semestre, para as primeiras avaliações, para o momento em que já não é sobre entrar — é sobre conseguir ficar.

Entrar é fácil. Ficar exige muito mais. E essa diferença continua a ser subestimada.

Se estás desse lado a preparar os exames e a pensar nas tuas escolhas, há uma coisa que deves mesmo ter presente: isto não é apenas sobre entrar — é sobre escolher um caminho onde consigas crescer.

A pressão é real. As notas, as médias, as listas de cursos… tudo parece urgente. Mas no meio disso tudo, tenta não perder a pergunta mais importante: isto faz sentido para mim? Não apenas “consigo entrar?”, mas “consigo imaginar-me aqui daqui a 2 ou 3 anos?”

Não precisas de ter tudo decidido para a vida. Mas precisas de fazer uma escolha consciente, informada e minimamente alinhada contigo — com aquilo em que és bom, com o que te interessa, e com o tipo de desafio que estás disposto a enfrentar.

Se sentires que estás perdido, indeciso, ou que estás a escolher só com base na nota… para! Procura informação. Fala com alguém. Ganha clareza antes de decidir.

E se precisares de ajuda mais estruturada nesse processo, podes explorar o trabalho que faço em Orienta os Teus Sonhos — um espaço pensado precisamente para te ajudar a tomar decisões com mais confiança e menos ruído.

Porque no meio de tudo isto, há uma coisa que continua a fazer toda a diferença:

Não é só onde entras. É onde faz sentido ficares.

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Sonha em grande. Começa devagar. Mas acima de tudo começa. Lembra-te que a paciência traz perspetivas.