As dificuldades são apenas isso, dificuldades
"Dos oito anos da vida escolar do meu filho tiro duas conclusões. A primeira é que durante anos dei mais importância à escola e às considerações dos professores que ao meu filho, dei mais importância às dificuldades denunciadas pelos professores que aos talentos que eu conhecia. Sem saber cavei um fosso de frustrações que aumentava cada vez que chegava uma nota ou um recado, como se cada um deles fosse mais uma prova do seu fracasso (e do meu).Sem querer amolguei-lhe a auto-estima e eduquei-o tendo como referência as pautas escolares".
Os testemunhos têm poder.
Têm a força de não nos deixarmos seguir pela maioria.
De sentir e perceber que não há só uma verdade ou um só caminho.
Que não somos donos dos nossos filhos e que eles não são o que queremos. Mesmo quando tentamos muito fazer com que assim seja.
E eles percebem desde cedo, que ninguém manda na sua cabeça e no que pensam.
E volto a deixar um excerto de testemunho, porque não sei dizer melhor do que esta mãe:
"No dia em que os confundimos com as dificuldades deles, em que olhamos para eles e em vez de crianças vimos problemas de matemática, os nossos filhos facilmente acreditam que são eles próprios os erros e os problemas. E então sim, as dificuldades perpetuam-se e podem ultrapassar em muito o âmbito da escola. A felicidade e o futuro dos nossos filhos não se medem pelo seu desempenho escolar - que mais cedo ou mais tarde, com mais ou menos trabalho, acaba por se cumprir -mas podem estar comprometidos se nós, pais, os julgarmos e medirmos por isso.O principal problema das dificuldades de aprendizagem é a dificuldade dos pais - não dos filhos - em lidar com elas."
